Entenda as COPs: por que existe mais de uma conferência?


No segundo semestre de 2026, as conferências internacionais voltam ao centro do noticiário com a COP17 da Biodiversidade, em Yerevan, na Armênia, e a COP31 do Clima, em Antalya, na Turquia. Embora dividam a mesma sigla, essas conferências respondem a tratados distintos e tratam de agendas com impactos bastante diferentes.
Para quem atua com sustentabilidade, entender essa divisão ajuda a separar o que é debate institucional do que realmente orienta as decisões de investimento e conservação no Brasil.
O que significa a sigla COP e quem são as Partes?
COP é a sigla em inglês para Conference of the Parties, ou Conferência das Partes. Ela é a reunião oficial estabelecida por uma convenção internacional para acompanhar o cumprimento de suas metas e aprovar decisões técnicas e políticas entre os países signatários.
As "Partes" são os Estados e blocos econômicos que ratificaram o tratado e assumiram obrigações jurídicas formais. Outros atores, como empresas, cooperativas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil, participam como observadores credenciados, acompanhando as negociações e levando a experiência prática dos territórios.
A origem das conferências: por que existe mais de uma?
A existência de COPs com números diferentes decorre de tratados separados. Durante a Rio-92, a comunidade internacional criou estruturas independentes para frentes essenciais da agenda ambiental:
Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD): voltada para a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a repartição justa de benefícios pelo acesso aos recursos genéticos;
Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC): focada em transição energética, descarbonização e redução de emissões;
Convenção para o Combate à Desertificação (UNCCD): adotada em 1994, com foco na degradação da terra, manejo de solos e segurança hídrica.
Como a conferência do clima acontece todos os anos e as de biodiversidade e desertificação adotam ciclos bienais, as contagens caminham em ritmos próprios. Por isso, 2026 reúne a COP31 do Clima e a COP17 da Biodiversidade.
COP17: o foco na biodiversidade e nos territórios
Enquanto as negociações climáticas se concentram em emissões industriais e energia, a COP da Biodiversidade olha diretamente para a conservação dos ecossistemas vivos e as comunidades que vivem neles.
A agenda atual da CBD é orientada pelo Marco Global de Kunming-Montreal, firmado na COP15, que definiu metas ambiciosas para 2030, como a proteção de 30% das áreas naturais, o avanço da restauração ecológica e o fortalecimento do financiamento para a natureza.
Na COP17, os países farão a primeira revisão global (Global Review) para medir o progresso dessas metas. O recado dessa conferência para o setor privado é claro: metas corporativas de sustentabilidade e ESG precisam ir além do carbono e apoiar iniciativas concretas que protejam a biodiversidade e valorizem quem vive da floresta em pé.
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