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Parteiras Indígenas, território e o futuro da sociobioeconomia

Foto do escritor: VBIO
VBIO
12 de ago.
4 min de leitura

O dia 9 de agosto é o Dia Internacional dos Povos Indígenas e, em 2026, tem como tema "Homenageando as Parteiras Indígenas: Protegendo a Vida e o Bem-Estar". A escolha das Nações Unidas reforça a importância de reconhecer essas guardiãs de saberes ancestrais um gesto especialmente relevante para a proteção do conhecimento dos povos originários, já que, quando esses saberes são protegidos, protege-se também a biodiversidade, fortalecem-se comunidades e constroem-se cadeias produtivas mais resilientes.


As parteiras indígenas representam muito mais que assistência ao parto: essas mulheres carregam um patrimônio de conhecimentos acumulados ao longo de gerações sobre plantas medicinais, saúde comunitária, organização social e manejo sustentável dos territórios.


Cosmologia, território e o ofício como ciência viva


Para as comunidades indígenas, existe uma cosmologia em que os seres humanos, as plantas, os animais, os ciclos climáticos e os espíritos são interdependentes e formam uma rede de parentesco. Sob essa perspectiva, o nascimento de um novo membro da comunidade é visto como parte do equilíbrio biocultural do território.


Por esse motivo, o ofício das parteiras indígenas não é uma prática isolada de saúde, mas um ato de interação direta com a biodiversidade, a cosmologia e a integridade do território. As parteiras tradicionais detêm uma complexa "ciência viva" baseada no uso de ervas, folhas, cascas e raízes medicinais aplicadas no pré-parto, parto e pós-parto.


Saber, governança e proteção territorial


A contribuição estatística dos povos originários para o capital natural global é clara, e a figura da parteira indígena personifica a interseção sistêmica entre:


  • Gestão territorial e ODS 5: lideranças femininas que asseguram a governança da saúde comunitária e a transmissão intergeracional de conhecimentos.

  • Ciência viva: domínio de uma farmacopeia ancestral que sustenta a vida em seu início e regula a integridade biômica.

  • Barreira antropogênica: atuação dessas comunidades como escudo contra o desmatamento, garantindo a continuidade dos serviços ecossistêmicos.


Este saber tradicional é a base de uma ciência viva, reconhecida pela UNESCO, que sustenta ecossistemas inteiros e demanda uma análise técnica rigorosa sobre sua valorização como ativo de inovação.


Guardiãs da floresta em pé


Os povos indígenas protegem cerca de 80% da biodiversidade restante do planeta, e suas terras demarcadas funcionam como os escudos mais eficazes contra a degradação ambiental e as mudanças climáticas, isso embora representem apenas 6% da população mundial. Proteger o ofício das parteiras é proteger a transmissão oral dessa identidade cultural e o senso de pertencimento à terra que motiva esses povos a permanecerem na linha de frente da conservação da floresta em pé.


Essas mulheres desempenham um papel de coordenação que vai além do nascimento, atuando como referências de cuidado comunitário, assistentes sociais e conciliadoras políticas. Por meio de práticas como o extrativismo sustentável, a agroecologia e o manejo florestal, promovem a autonomia de seus povos e garantem a manutenção dos recursos naturais para as futuras gerações. O próprio ofício do partejar funciona como um incentivo concreto para que as comunidades monitorem, valorizem e protejam ativamente a flora medicinal de seus territórios.


Marco Regulatório: ABS, Protocolo de Nagoia e compliance


Essa ligação entre saberes tradicionais e biodiversidade fundamenta os avanços regulatórios em Acesso e Repartição de Benefícios (ABS). Legislações como a Lei da Biodiversidade brasileira e o Protocolo de Nagoia buscam garantir que os conhecimentos tradicionais associados ao patrimônio genético, como as propriedades das ervas catalogadas e utilizadas no partejar, sejam legalmente reconhecidos e financeiramente recompensados. Essa repartição de benefícios gera retorno econômico justo, financia projetos territoriais e fortalece as comunidades para que continuem exercendo seu papel vital de proteção da vida e da natureza.


O ambiente regulatório brasileiro, regido pela Lei nº 13.123/2015, impõe padrões rigorosos de conformidade para o Acesso e Repartição de Benefícios. A observância desse marco garante a segurança jurídica e a integridade de um "compliance de ponta a ponta" para empresas que acessam o patrimônio genético ou o Conhecimento Tradicional Associado (CTA). O Consentimento Prévio, Livre e Informado (PIC) e os contratos de repartição de benefícios não são apenas obrigações legais, mas instrumentos de mitigação de risco e garantia de que os provedores desses saberes sejam recompensados equitativamente.


Investimento, resiliência climática e o papel da VBIO


As taxas de desmatamento em terras indígenas demarcadas são até 2,5 vezes menores que em áreas externas. Investir nessas comunidades atua, portanto, como um "seguro" contra a perda de capital natural e a volatilidade climática. O futuro da biodiversidade e a competitividade do setor privado na economia de baixo carbono dependem da inclusão dos povos originários no centro da estratégia econômica. A VBIO e a GSS lideram a gestão dessa transformação, oferecendo a inteligência e a transparência necessárias para que corporações convertam compromissos ESG em impacto real e resiliência de longo prazo.


A VBIO arquiteta a infraestrutura necessária para que o capital corporativo acesse a sociobioeconomia com total segurança. Como ponte tecnológica, traduzimos complexidades territoriais em dados auditáveis para o investidor de impacto. Contamos com robustez operacional e um ecossistema de serviços que abrange sourcing responsável, gestão de uma rede com mais de 1.200 organizações sociais e um inventário de mais de 3.000 matérias-primas mapeadas, além de diagnóstico e análise de capacidade operacional e compliance. Isso garante rastreabilidade total desde a origem, sustentada por uma rede de mais de 500 organizações já habilitadas sob critérios rigorosos de governança.


O investimento na salvaguarda de saberes tradicionais é, fundamentalmente, um investimento na segurança de ativos climáticos globais. Apoiar as parteiras e lideranças indígenas é garantir a manutenção dos guardiões que mantêm a floresta em pé e o clima estável.


 
 
 

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