Dia mundial do Combate à Desertificação e à Seca 2026
- VBIO

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Anualmente, em 17 de junho, celebramos o Dia Mundial de Combate à Seca e à Desertificação. A data é um marco para a conscientização global sobre a degradação do solo e a escassez de água. O solo deve ser reconhecido como a infraestrutura essencial do planeta para a vida. Em 2026, diante da urgência imposta pela emergência climática, a data ganha contornos decisivos para a sobrevivência de ecossistemas e populações vulneráveis.
2026 – Pastagens: Reconhecer. Respeitar. Restaurar.
O Quênia é o país-sede da edição de 2026, trazendo o tema para o centro do debate global. A proposta deste ano, compartilhada pela a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), é: "Pastagens: Reconhecer. Respeitar. Restaurar." A mensagem chama a atenção para o valor ecológico, econômico e cultural desses ecossistemas que cobrem mais da metade da superfície terrestre e, ainda assim, frequentemente são subvalorizados.
Alinhada ao Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, a data destaca o papel vital desses ambientes na resiliência climática, na segurança alimentar e hídrica e na conservação da biodiversidade. É um convite para reconhecer os benefícios que as pastagens oferecem, respeitar o conhecimento tradicional de pastores e povos indígenas, e restaurar paisagens degradadas.
O cenário de impactos globais e o avanço no Brasil
De acordo com o Atlas Mundial da Desertificação e dados levantados pelo Observatório Sistema Fiep, cerca de 75% dos solos do planeta já estão degradados, afetando diretamente bilhões de pessoas. Se as tendências atuais continuarem, esse número pode chegar a 90% até 2050. Ainda conforme a UNCCD, o mundo perde anualmente cerca de 100 milhões de hectares de terras produtivas, o que equivale a quatro campos de futebol por segundo.
No Brasil, os desafios são grandes. Como aponta o Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), o fenômeno já atinge cerca de 13% do território nacional, colocando em risco a segurança hídrica e alimentar de mais de 30 milhões de pessoas. O Observatório Sistema Fiep detalha que as áreas suscetíveis já somam mais de 1,5 milhão de km², abrangendo mais de 1.600 municípios e impactando 38 milhões de brasileiros.
A Caatinga é o bioma mais atingido por esse avanço acelerado. Segundo pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do CienTec-USP, pelo menos metade do bioma está comprometido e, apenas nos últimos dez anos, a área desmatada na Caatinga equivale ao tamanho de Portugal.
Atualmente, o Ministério do Meio Ambiente reconhece núcleos em processo avançado e severo de degradação, como os de Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Seridó (RN e PB) e Cabrobó (PE). Quando a terra desertifica, a subsistência se torna inviável, ampliando vulnerabilidades sociais e pressionando comunidades a migrar em busca de condições mínimas de vida.
Soluções Baseadas na Natureza e políticas públicas
O plano mundial para conter e reverter a perda de biodiversidade, conhecido como o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, também dialoga com os desafios da seca e da degradação do solo ao estabelecer 23 metas. As metas 2 e 11 orientam, de forma mais direta, a restauração de solos para garantir a integridade ecológica, a saúde da terra e a regulação da água.
No cenário nacional, segundo os apontamentos da Embrapa e a atuação do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), dentre as diversas alternativas comprovadas para mitigar a desertificação, destacam-se:
Recuperação e conservação: o reflorestamento e a recuperação de matas ciliares ajudam a regular o ciclo hidrológico e evitam a erosão das margens dos rios. O isolamento de áreas degradadas também é vital para permitir a regeneração natural da biodiversidade.
Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Quintais Produtivos: integram o cultivo sustentável que melhora a fertilidade do solo através da ciclagem de nutrientes, diversificando a produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos e promovendo a segurança alimentar das famílias rurais.
Infraestrutura hídrica adaptada: projetos como barragens sucessivas, barragens subterrâneas (que evitam a evaporação), perfuração de poços e a implantação de cisternas calçadão otimizam o acúmulo de água das chuvas, fundamental na longa estação seca.
O papel da VBIO na construção de soluções
Nesse contexto, a VBIO atua como uma plataforma que conecta propósito, biodiversidade e impacto. Ao apoiar a estruturação de programas e iniciativas baseadas na sociobioeconomia, a VBIO contribui para transformar desafios socioambientais em oportunidades concretas de conservação, regeneração e geração de valor. Seu trabalho aproxima organizações, comunidades e diferentes atores em torno de soluções que fortalecem territórios, promovem desenvolvimento e valorizam o conhecimento local.
O futuro depende de ação coletiva
A restauração do solo e seu manejo sustentável não são esforços isolados. As decisões precisam integrar mitigação climática, conservação da biodiversidade e justiça social, com a participação ativa de governos, setor privado, juventude, mulheres, comunidades locais e povos indígenas.
Neste ano de 2026, a mensagem vai além do alerta climático: combater a seca e a desertificação também é uma questão de justiça social e econômica. Trabalhar pela restauração e pelo cuidado com a terra é o caminho para um futuro mais resiliente, justo e sustentável para o Brasil e para o mundo.
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