O Dia da Terra e o que ele ainda precisa nos dizer
- VBIO

- há 2 horas
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Daqui a trinta anos, o que vai restar das florestas, dos rios e das espécies que existem hoje no Brasil?
A resposta depende, em grande parte, do que empresas, governos e indivíduos decidem fazer, ou deixar de fazer, agora. O Dia da Terra existe desde 1970. Mais de cinco décadas depois, a data continua relevante não porque resolvemos os problemas que a originaram, mas porque ainda não resolvemos.
E o tempo para agir ficou mais curto.
O planeta em números
A Terra abriga cerca de 8,7 milhões de espécies estimadas, de acordo com um estudo publicado na revista científica PLoS Biology. Ao mesmo tempo, a taxa atual de extinção é estimada entre 100 e 1.000 vezes maior do que a taxa natural, como concluiu o estudo de Ceballos publicado na Conservation Biology. impulsionada principalmente pela perda de habitat, mudanças do clima e uso intensivo do solo.
Mas o que chama atenção não é só a velocidade da perda. É a escala do que ainda não conhecemos. O estudo da PLoS Biology citado acima também estimou que 86% das espécies terrestres e 91% das marinhas ainda aguardam descrição científica. Isso significa que a extinção em curso não é apenas uma perda ecológica: é uma perda permanente de informação, de potencial farmacológico, agrícola e biotecnológico que nunca poderemos recuperar.
A biodiversidade, nesse sentido, não é um tema romântico. É infraestrutura. Polinizadores sustentam cerca de 75% das culturas alimentares do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Florestas regulam o ciclo hídrico de regiões inteiras. Manguezais e recifes de coral protegem costas e comunidades de eventos climáticos extremos. Quando esses sistemas entram em colapso, os efeitos não ficam contidos na natureza, eles se propagam pela economia, pela saúde pública e pela segurança alimentar.
O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta, responsável por abrigar cerca de 20% de todas as espécies conhecidas, conforme reconhecido pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo, já perdeu quase 90% de sua área original, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o INPE, que monitora o bioma desde 1989 por meio do Atlas dos Remanescentes Florestais. O Cerrado, berço das águas do Brasil, responsável por abastecer as principais bacias hidrográficas do país, já teve grande parte do seu território convertido para uso agropecuário. A Amazônia, pulmão global, segue pressionada por desmatamento e degradação, com impactos que extrapolam fronteiras nacionais.
Esses números não são alarmismo. São o ponto de partida para qualquer conversa séria sobre sustentabilidade, e sobre negócios.
Da conscientização à ação mensurável
Por muito tempo, o debate ambiental viveu no campo da sensibilização. Campanhas, datas comemorativas, relatórios. Tudo isso tem valor, mas o momento que vivemos exige mais.
O que o mercado, os reguladores e a sociedade passaram a exigir das empresas é algo diferente: responsabilidade ambiental com evidência. Não basta declarar compromisso com o meio ambiente. É preciso medir, reportar e agir sobre os impactos reais das operações.
É nesse contexto que conceitos como compensação ambiental, créditos de biodiversidade e restauração ecológica deixaram de ser nicho para se tornarem parte da agenda corporativa e regulatória. No Brasil, marcos como a Lei da Mata Atlântica, o Código Florestal e os avanços nas discussões sobre o mercado regulado de carbono estão redesenhando as obrigações e as oportunidades para quem opera em território nacional.
Empresas, ESG e o peso real da letra E
O ESG, Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança), se popularizou rapidamente no vocabulário corporativo brasileiro. Mas há uma crítica crescente, dentro e fora do mercado financeiro, de que a letra E tem sido tratada de forma superficial: metas genéricas de emissões, relatórios com linguagem vaga, iniciativas pontuais que não se conectam à operação central do negócio.
Essa superficialidade tem um custo. Investidores institucionais, fundos de impacto e grandes compradores globais passaram a exigir dados concretos e auditáveis sobre impacto ambiental. Frameworks como o TNFD (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures) estão estabelecendo um novo padrão de transparência sobre riscos e dependências relacionados à natureza. A União Europeia, com sua regulação de due diligence socioambiental, começa a impactar diretamente empresas que exportam ou integram cadeias globais de fornecimento.
No Brasil, o tema também avança no campo regulatório e de acesso a capital. O Banco Central passou a incorporar critérios de risco climático e ambiental na regulação prudencial. Linhas de crédito atreladas a desempenho socioambiental estão se tornando mais comuns em bancos de desenvolvimento e instituições multilaterais.
O que isso significa na prática? Que a agenda ambiental deixou de ser uma escolha de posicionamento de marca para se tornar um fator de competitividade e de acesso a mercados. Empresas que não conseguem demonstrar como gerenciam seus impactos sobre biodiversidade, água e clima terão dificuldades crescentes para captar investimento, fechar contratos e operar em determinados setores.
Mas há outro lado dessa equação que merece atenção: o das oportunidades. O mercado de natureza, que inclui créditos de carbono, créditos de biodiversidade, serviços ecossistêmicos e compensações regulatórias, está em expansão. Empresas que se posicionam com seriedade nesse espaço hoje, com metodologia e rastreabilidade, saem na frente de uma curva regulatória que só tende a se intensificar.
O que significa cuidar da biodiversidade na prática
Restaurar não é apenas plantar árvores. É recompor a complexidade de um ecossistema seja solo, água, fauna ou flora, de forma que ele volte a cumprir suas funções ecológicas. É um trabalho técnico, de longo prazo, que exige monitoramento contínuo para ter validade científica e jurídica.
Na vbio, é exatamente isso que fazemos. Trabalhamos com empresas que precisam entender, quantificar e compensar seus impactos sobre a biodiversidade, integrando ciência, tecnologia e conhecimento regulatório em cada projeto. Não vendemos certificados. Construímos soluções com rastreabilidade e resultado.
Por que o Dia da Terra ainda importa
Porque ele é uma pausa. Um momento coletivo para olhar além do operacional e perguntar: o que estamos deixando como legado?
Para as empresas, essa pergunta tem se tornado cada vez mais urgente, não apenas por pressão de stakeholders ou exigências legais, mas porque a integridade ambiental está diretamente ligada à resiliência dos negócios no longo prazo.
O 22 de abril não resolve nada sozinho. Mas pode ser o dia em que uma decisão começa a ser tomada.
Se a sua empresa ainda não sabe exatamente qual é o seu impacto sobre a biodiversidade, esse é um bom ponto de partida.
A VBIO atua com soluções de compensação ambiental, restauração ecológica e monitoramento de biodiversidade para empresas e projetos em todo o Brasil.



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